A Lenda do Dragão Vermelho da Piscina

Por Dede Lovitch

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– Qual dragão você viu? Que cor ele era?
O menino parou, fitou aquele senhor com um olhar surpreso e todo aliviado; afinal, alguém também tinha visto algo estranho naquelas águas.
Naquela manhã, o menino Bernardo estava bastante arredio para nadar ali, as águas estavam cristalinas, enxergava-se tudo, as margens, as bordas, o fundo, enfim, tudo mesmo, mas havia uma sensação de que alguma coisa poderia aparecer a qualquer momento. Não era a primeira vez que sentia aquilo. Aliás, já sentiu em várias outras ocasiões, mas não conseguia explicar o que era, só sentia um medo, e que medo.
Era uma necessidade incontrolável de sair dali, ele sentia que alguma coisa nadava por baixo da água e que vinha em sua direção. E quanto mais rápido ele nadava, mais facilmente a coisa chegaria até ele, desespero total!!!
Aquela pergunta veio mesmo na hora certa, já que sua mãe o estava atormentando com tantos questionamentos:
– O que aconteceu filho? Você está com medo de nadar? Está com medo de que? Explica pra mamãe. Você ficou com medo do marimbondo? Ah, já sei, foi daquela vez que a gente viu a cobra?
O menino se desligou daquilo tudo no mesmo segundo que ouviu aquelas perguntas vindas da outra borda e depois, como que caminhando para sua salvação, ele estava visualmente mais leve e mais faceiro:
– Era dourado.
– Dourado? Nossa! Que lindo
– É…
Nesse momento houve um pequeno silêncio, que para o menino Bernardo durou horas que, inesperadamente, tinham trocado seu sentimento de medo por uma inofensiva curiosidade.
A conversa continuou assim:
– Dourado? Que sorte, o dourado é muito manso. Ontem eu vi o vermelho.
– Vermelho vovô?
– Sim, vermelho, e esse pode ser perigoso se nos aproximarmos muito dele. Mas você viu o dourado, né?
– É vovô, eu vi o dourado.
– Ufa, que bom.
A partir desse dia, o vovô Izauro e o menino Bernardo nadaram tranquilamente por aquelas águas e cada dia eles viam um dragão de cor diferente, mansos e carinhosos.
O dragão vermelho? Ah, esse passou por um treinamento intensivo, juntamente com a mãe do menino Bernardo que mais uma vez aprendeu com seu pai como entrar no mundo maravilhoso das crianças.
E quem foi que disse que os avós estragam?
Obrigada, pai. Te amamos…

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