E agora? escolas…

Por Paty Juliani

“Mandam as crianças à escola, não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas idéias” Kant

Antes de Giulia nascer, me lembro de ficar horas e horas na frente do computador, pesquisando as escolas que ela poderia estudar.
Essa sempre foi uma grande preocupação e porque não dizer, um grande medo.
Sempre gostei de ir para a escola. De estudar. Sempre fui boa aluna e reconheço os grandes mestres que passaram pelo meu caminho.
No entanto, quando olho pra trás, vejo uma escola tradicional, com conteúdos sendo despejados, lições sendo feitas, provas realizadas e protocolos cumpridos. Vejo alunos que tinham grandes potenciais, não serem estimulados por parte da instituição. Vejo outros, que não eram considerados brilhantes, traçando caminhos de grandes realizações profissionais, depois de sozinhos se encontrarem. Vejo os que eram considerados brilhantes, hoje, totalmente perdidos tentando se encontrar. Vejo como grandes oportunidades foram perdidas. Vejo como a superficialidade imperava. Vejo como muito pouco foi acrescentado…
Fazendo a pesquisa e, naquele momento olhando para frente, temia ver a mesma realidade.
Não. Definitivamente, minha filha não iria estudar em uma escola tradicional. Era uma decisão. Intuitiva, mas era.
Muita gente dizia que essa não deveria ser uma preocupação, pois há grandes escolas por aí e, no final, dá tudo certo.
O que dá certo?
Passar no vestibular?
Arrumar um bom emprego?
Eu me preocupo sim. E muito. Quero muito mais e tenho medo que algo se perca no caminho.
A grande questão é que as escolas perderam o mais precioso: formar seres livres e pensantes, para trilhar um caminho de felicidade (independente das dificuldades), trabalhando naquilo que lhes dê plenitude e satisfação.
Hoje, o que interessa são os números. As metas. A competição.
Os alunos são preparados para o mercado. Não são preparados para a vida.
Não há tempo ou interesse em olhar para o aluno, individualmente. Em estimular seu desenvolvimento como ser humano. Em trabalhar os potenciais individuais e inerentes daquele ser.
A liberdade, de maneira velada ou não, é cerceada, pois há regras e normas em jogo.
Crianças, cada vez mais novas, presas em salas com carteiras e computadores. Aulas de inglês, disso, daquilo e daquilo outro. Alfabetização precoce. Lições, tarefas e compromissos cada vez mais cedo. A infância se perdendo.
A criatividade sendo esmagada. O lúdico sufocado.
Giula nasceu.
Depois de um tempo…abri mão da vaga concorridíssima do colégio que mais aprova para as universidades em São Paulo; abri mão (com muito pesar e muita decepção – por falta de acolhimento) da que é considerada a metodologia que observa o ser humano como ente físico, anímico e espiritual, fundada pelo filósofo austríaco; abri mão do colégio bilingue, atravessando a rua da minha casa. E fui atrás de uma escola livre.
Artística.
Pois não estou preocupada com a universidade ou o grande emprego. Muito menos com regras a serem seguidas. Estou preocupada em proporcionar a minha filha um ambiente onde ela possa desenvolver suas potencialidades. Onde ela possa se conhecer, se sentir segura e acolhida. Para mais tarde (aí sim), bancar suas escolhas, tomar suas decisões e trilhar seu caminho com paixão e entusiasmo.
Pois, se eu não acredito na escola tradicional, eu acredito na arte.
A arte salva. Liberta. Desperta.
Uma vez eu li um texto da Denise Fraga para a revista crescer, onde ela dizia que o trabalho do adulto é a continuação da brincadeira da criança. Se não é, deveria ser.
Fantástico!
Certa vez, uma mãe muito querida, me confidenciou que ela faz anotações de tudo que os filhos gostam agora, quando crianças, para sempre lembrá-los o quanto isso é importante.
Lindo!
Esse é o ponto. A individualização de cada um. O estímulo. O desenvolvimento de suas potencialidades.
Nosso ofício (trabalho) é nossa contribuição ao mundo, por isso temos que fazer o que gostamos. O que sempre gostamos.
Não podemos perder isso de vista ou o caminho se perde.
E a escola, deveria ajudar nesse contexto. Nessa transição. Nessa passagem.
Como mãe, rezo e torço para que minhas meninas não percam sua trilha. Para que nenhuma escola ou instituição cerceie a criatividade e o direito delas serem felizes, impondo o que quer que seja.
Para concluir, deixo um vídeo muito bom para reflexão.

 

5 thoughts on “E agora? escolas…

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