Sobre o amor e suas consequências

Por Paty Juliani

Quando ganhei o livro “A Ponte Para o Sempre”, não sabia o que viria pela frente. Sabia apenas que estava me apaixonando por livros e, em nome dessa paixão, criei ali uma regra que mantenho até hoje: se ganhei de alguém um livro (e pensaram em mim ao me presentear), é porque tenho que ler. Algo está ali pra mim. Não importa o que seja.
Esse era um livro especial pois era um presente de minha mãe, num momento de descoberta por livros e paixões, e vinha com uma dedicatória linda: “Não conheço a história mas sei que é uma história de amor e, toda história de amor deve ser lida e vivida.”
E, naquelas páginas, me identifiquei e me emocionei.
Uma linda história de amor. De busca. De fé.
Chorei, li e reli meu livro. Algumas vezes.
Tal qual o aviador que se sentia num mundo de estranhos, eu vivia minha adolescência sonhando com novos lugares, cidades e pessoas.
E você estava ao meu lado.
Sempre esteve.
Compartilhava comigo suas conquistas, me pedia conselhos e também me pedia ajuda sempre que seu cabelo atrapalhava o futebol (sim, você tinha cabelos compridos e eu emprestava meus elásticos).
Enquanto eu seguia me aprisionando, tentando buscar a liberdade em quem era livre, você vivia suas histórias.
Esteve presente o tempo todo mas eu não via. Não do jeito que eu deveria ver.
Me diverti te ajudando a comprar ursinhos para suas novas paixões, a estudar inglês para as provas, a curtir e testar com você sua moto nova e amarela e torcendo para você fazer gols. Muitos gols.
Éramos amigos.
A vida seguiu.
Anos se passaram.
Nos reencontramos depois, em outro momento.
Eu já não sonhava mais em sair dali pois já vivia longe. Já não acreditava que a felicidade estava em alguém ou algo mas a buscava dentro de mim.
Você estava cansado…das velhas e repetidas histórias…
Eu te olhei. Na verdade, te enxerguei.
Me lembrei que te conhecia desde sempre mas que nunca tinha te visto de verdade.
Assim como o aviador quando enxerga a pianista (naquele meu livro sobre o amor), decidi deixar a vida me mostrar o caminho. Me permitir. Quis viver essa história.
Desde então, tudo se transformou.
Descobri o poder da entrega e da parceria.
Que amor é querer bem, desejar o melhor, admirar e aplaudir. E que competição não entra nessa soma.
Aprendi e aprendo todos os dias, a força que a intimidade proporciona.
Quis ter filhos.
Construir uma família.
Maternar, do jeito e da maneira que acredito.
Apostar em novas possibilidades.
Começar e recomeçar muitas vezes.
Sonhar…
Tudo isso pois tenho você ao meu lado. Sempre ao lado.
Sonhando junto.
Sorrindo.
Chorando.
Aplaudindo.
Socorrendo.
Dando as mãos. O ombro. A vida.
Mostrando e me dizendo que podemos tudo. Que devemos sim, ouvir nossos instintos e corações.
Maternando junto comigo.
Me levantando quando acho que não vou mais conseguir.
Acreditando no valor da simplicidade. Do respeito. Do amor.
Sabendo da responsabilidade de seu papel como pai e assumindo isso.
Trazendo equilíbrio para nossas vidas e corações.
Sim, o amor estava ao meu lado.
Sempre esteve.
Nosso guru profetizou que essa escorpiana precisava desse taurino para seguir em frente e ele estava certo.
O amor é simples.
A vida deve ser simples.
Pois simplicidade é o que importa.
O que fortalece.
Que nossas meninas possam viver suas paixões mas que também consigam ver e enxergar o amor, pois ele existe. Quase nunca como contos de fadas, mas existe.
E, como sabiamente disse minha mãe, ele deve ser lido e vivido.

“Pensamos que, às vezes, não restou um só dragão. Não há mais qualquer bravo cavaleiro, nem uma única princesa a passear por florestas encantadas.
Pensamos, às vezes, que a nossa era está além das fronteiras, além das aventuras. Que o destino já passou do horizonte e se foi para sempre.
É um prazer estar enganado. Princesas e cavaleiros, encantamentos e dragões, mistério e aventura… não existem apenas aqui e agora, mas também continuam a ser tudo o que já existiu nesse mundo. Em nosso século, só mudaram de roupagem.
As aparências se tornaram tão insidiosas que as princesas e cavaleiros podem se esconder uns dos outros, podem se esconder até de si mesmos.
Contudo, os mestres da realidade ainda nos encontram, em sonhos, para nos dizerem que nunca perdemos o escudo de que precisamos contra os dragões; que uma descarga de fogo azul nos envolve agora, a fim de que possamos mudar o mundo como desejarmos.”
(A Ponte Para o Sempre – Richard Bach)

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