RETROSPECTIVA DE UNS ANOS

Por Paty Juliani

O ritmo, o compasso, o pulso.
A pulsação!
Somos movidos e controlados pelo impulso do nosso pulsar.
Sentimos quando nosso ritmo descompassou.
Respiramos e tentamos controlar o compasso.
Quando nascemos, ele é preciso.
Quando morremos, deixamos de pulsar.
No intervalo do compasso preciso e do silêncio, vivemos!
Crescemos e aceleramos o ritmo.
Esquecemos de respirar.
Não entendemos nosso ritmo interno, nosso pulsar.
Aceleramos.
Sonhamos com o equilíbrio do ritmo perfeito e não sabemos quando vamos parar.
“Você não tem medo do futuro?”
“Não. Eu tenho medo de perder o presente. Nem sei se esse futuro vai chegar”, respondo de imediato.
Ficamos em silêncio.
Ela entende. E eu fico feliz pelo que disse sem pensar.
Era um processo de mudança, redescoberta e renúncia.
Era doloroso mas necessário e libertador.
Nascimento, assim como a morte, é um acontecimento avassalador e, consequentemente, transformador. Quase ninguém sai incólume a ele.
E eu não saí.
Eu sabia do meu descompasso. Sabia que a aceleração estava consumindo o presente em nome de um futuro.
O que era o meu presente? Quem eu era no momento presente?
Em cada pausa para amamentar, cada aconchego no ninar, o tempo parecia parar.
O pulsar da vida ensina que o nosso maior presente é o momento presente.
Ao entrar no ritmo – meu e delas, eu tive que me ouvir.
Ao olhar para elas, eu me olhei.
A primeira me mostrou que tudo estava errado. Que o ritmo era confuso. Que a pulsação estava acelerada.
A segunda me trouxe força e coragem para romper com esse ciclo. Para aguçar meus sentidos e minha percepção.
Um caminho sem volta.
O discurso pode ser lindo mas a atitude é que tem potência.
Nesse momento, lembro de ter me emocionado com a atriz Cássia Kiss, ao falar sobre a maternidade em entrevista à Marília Gabriela: “Todos os dias eu tiro uma pedra do caminho e dou um passo… Eu luto todos os dias para ser uma pessoa interessante para eles (os filhos)”.
Como eu serei para elas? Terei que ser o melhor de mim, pois quero que cada uma delas também seja. E ser o seu melhor é ser você mesma. Com suas dores e delícias, sem receio de julgamentos, sem personagens, sem superficialidade.
Ainda busco o equilíbrio do compasso mas o ritmo não é mais acelerado.
Agora há tempo, pausas e silêncio.
Incertezas mas muita paixão.
Pequenas conquistas ao invés de grandes planos.
Há o presente e a presença.
A redescoberta e o reconhecimento.
Há o caminhar, lento e diário.
E as pequenas batalhas que geram grandes conquistas.
E há os livros, as tintas, os tecidos, o violão e muitos sonhos.
Esse foi um ano de conclusão. O fechamento de um ciclo que começou há cinco anos, com um nascimento.
Foi um ano de muita pulsação e também da ausência dela.
Um ano de perda, desapego, renúncia e muitas pausas.
O que serei para elas não me assombra mais porque essa que elas vêem hoje, sou eu. De verdade.
Tentando abrir caminhos, ampliar o olhar, aguçar os sentidos, respeitar o tempo e dando espaço. Para mim, para elas. Por nós.
Que venha um novo começo. Um novo ciclo.
E que não falte pulsação, ritmo e compasso.

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