Aos poucos

Por Rita Durigan

Aos poucos eles vão crescendo diante dos nossos olhos. Assim, de um jeito que nos faz lembrar do ‘parece que foi ontem’. E que ao mesmo tempo nos dá a certeza de que ‘vai ser pra sempre’. Seja o sempre do tamanho e do jeito que for. Respeitando o tempo e cada fase que há de vir.

Uma vez, numa mesa de restaurante, estávamos meu marido e eu com Valentina ainda muito bebê e um casal de amigos com a filha alguns meses mais velha. Questionada pelo marido se não tinha saudades da filha bebezinha, minha amiga respondeu: “eu sou tão apaixonada pela minha filha, vivo tão mergulhada no olhar dela, que nem percebo ela crescer.”

Essa declaração me acompanha desde então. E faz todo o sentido pra mim. É olhando pros olhinhos da minha pequena que me reconecto com o melhor da minha essência e com o sentimento mais poderoso do universo, o amor.

As vezes ouço que estamos muito ligadas. Que ela precisa se desapegar de mim. E me pergunto: Que mal há nisso? Ela só tem 3 anos. Acabou de fazer 3. Teria que ser independente? Não desejar a mãe por perto? Preferir a escola institucionalizada ao amor materno que, mesmo em meio a loucura, é puro aconchego e acolhimento?

Institucionalizaram a infância. É isso. Nossas crianças precisam crescer desejando estar longe para se acostumar com a ausência, sabe? Não. Eu não sei. Só sei que aos poucos vou ficando cada dia mais apaixonada pela minha filha. E me sentindo mais ligada a ela.

As vezes, se há tumulto, preciso fugir com ela. Praqueles momentinhos que são só nossos. Aqueles nos quais ninguém nunca vai entrar. Ai mergulho profundamente em seu olhar e novamente nos reconectamos. As vezes, se há muito barulho do lado de fora, ou mesmo dentro de mim, precisamos desse nosso silêncio de mãe e filha. Que é a nossa melhor linguagem. Nele falamos tudo. Compreendemos tudo. Nele está toda nossa história e uma ligação que estamos construindo para a vida toda.

Não vai ser sempre igual. Nada é. Cada fase terá seu jeito de ser. Mas eu continuarei mergulhando em seu olhar sempre, filha, sem sequer perceber como você cresceu.

Uma resposta para “Aos poucos

  1. Gloria diz:

    Para as mães , apesar de saber que os filhos crescem e se tornam independentes, pra mim o sentimento é de eterna preocupação , desejo de saber da vida deles, se estão bem de verdade.Sei que alguns acham demasiado zelo, afinal … já são adultos! Pra mim, eternamente filhos.

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