Criança é sempre criança, na missa, na chuva, na fazenda…

por Rita Durigan

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Como citei em “Viagem ao Japão com Criança” – e provavelmente em alguns outros textos -, criança vai ser sempre criança, não importa se você está em um templo budista, em call conference com cliente, em uma cerimônia de casamento ou qualquer outra solenidade silenciosa… criança é curiosa, ativa, quer brincar. E ponto. Como nós, adultos, vamos reagir a isso é outra coisa. Muito particular, que varia de pessoa para pessoa, de situação para situação.

Mas vou retratar aqui uma experiência que tenho vivido nas missas de domingo e que me faz repensar, semana a semana, como normalmente exigimos das crianças comportamentos que não são infantis. Não, esse post não é sobre religião. Tenho a minha e respeito as outras. A igreja é só o cenário onde tenho vivenciado isso.

Frequento a missa com minha filha. Escolhi a das manhãs de domingo, que é especial para crianças e tem a chamada “formação da fé”. Funciona assim: quando vão começar as leituras, incluindo o Evangelho e a homilía, o Padre abençoa os pequenos que são conduzidos por um catequista, sempre acompanhados de um responsável adulto, para uma das salas da igreja. Lá, sentados em círculo, ouvem a mensagem principal do Evangelho. A linguagem é bem simples e o discurso, curto. E eles são estimulados a lembrar de situações cotidianas relacionadas ao tema. Depois, recebem um desenho sobre o assunto e lápis para colorir. Em alguns domingos o encontro é animado com a presença de um músico.

Algumas crianças simplesmente ficam ali, colorindo e até comentando o assunto. Outras – a minha, inclusive -, pintam rapidinho e correm para brincar com os brinquedos que a sala tem – lá também funciona um maternal durante a semana.

Quando termina a homilía, crianças e responsáveis – normalmente mães e/ou pais – voltam juntos para continuar participando da celebração, que já não será tão longa para uma criança.

Claro que essa missa tem barulhinho de criança. Tem criança com seus brinquedos e livrinhos. E, confesso, no começo achava estranho levar briquedo pra igreja. Mas fui percebendo que deixava tudo mais próximo do infantil. E que, naturalmente, na hora das músicas ou de algumas orações, minha pequena já pára pra acompanhar a celebração. E volta a brincar depois. Como criança.

Além disso, no final de toda missa uma das famílias da paróquia leva donuts (aquele pãozinho doce) e suco para distribuir para as crianças. Isso me ajudou a explicar para minha filha que o pãozinho que a Mamãe come na Comunhão é para crianças maiores que ela e para os adultos. Que, se ela quiser, um dia, quando crescer mais um pouco, vai poder estudar sobre a importância daquele pãozinho e passar a comer também. Mas que agora o pãozinho das crianças da idade dela são os que eles distribuem no final da missa. E pelo qual ela aguarda ansiosamente.

A explicação desses mini encontros dominicais e da distribuição dos atrativos pãezinhos é simples também. A missa é longa para uma criança. E torna-se desinteressante rapidinho. Com espaço para serem criança em cada celebração, a religião deixa de ser uma obrigação para ser uma opção divertida. Brincando, elas estão aprendendo. O tempo todo e mais do que sentadas e sendo obrigadas a silenciar por uma hora – ou mais – de celebração. E, o mais importante pra mim, são respeitadas na sua essência infatil. O que, infelizmente, não é comum nesse mundo ditado por nós, adultos. Mas a gente tenta. A gente pode tentar.

 

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