Carta à Deus, sobre minha mãe

por Rita Durigan

Escrevi essa mensagem hoje (11/11), para minha mãe. É aniversário dela, que está no Brasil, mas estou nos EUA, onde moro. Mandei pra ela, postei no facebook, e vendo a reação de mães e filhas, mães-filhas ou filhas-mães, mesmo as que não a conhecem, percebi que falava um pouco de todas nós, filhas e/ou mães. E resolvi compartilhar com vocês. Aliás, cá entre nós, às vezes é bom escrever e ler sobre amor. Ainda mais um amor assim. Recomendo!

 “Sabe, Deus – sabe, claro! -, hoje é aniversário da minha mãe. É aquele dia bom de estar com ela. Queria poder abraçá-la e tirar um pouco da saudade que carregamos no coração. Levar minha filha pra se juntar à outra neta e deixar a alegria da casa completa. Seria um lindo presente – já apareci de surpresa nesse dia, há alguns anos, e sei como ela fica feliz. Mas esse desejo não é maior do que o que senti ontem, nem do que vou sentir amanhã, só pq é dia de festa. Todos os dias que estou longe tem sido assim. É que mãe é mãe, né? Você sabe – e como! E quanto mais o tempo passa, mais a gente percebe que é nela que encontramos o colo mais seguro, o sorriso mais sincero, o amor mais materno, a verdade mais real, que a gente pode ter. Depois de virar mãe então, oh meu Deus, quanta coisa em mim mudou.
Eu já achei minha mãe nervosa demais, brava, mas agora eu acho até que ela era calma… Criança, casa, trabalho, vida de mãe tudo junto dá um trabalho! Vou te contar, viu Deus. Pq isso eu não sei se vc sabe bem não. Eu tbm via ela fazendo tudo sozinha e nem imaginava quão exaustivo era. Mas tem coisas que nem todo mundo precisa saber, pq quando a gente vira mãe, ai sim a gente passa a entender. E quando a gente vê nossa mãe sendo Vovó, oh meu Deus, que coisa boa de se viver. A gente entende o sentido da Mãe com açúcar. Dá uma espiada nesse videozinho ai embaixo pra ver. Vale a vida!
É bom, Deus, saber que ela tá por aqui. Logo ali, há algumas horas de voo. Saber que quando o coração aperta eu posso ligar e ouvir sua voz. Mandar um recadinho e receber de volta. Sabe, as vezes eu deito e fico pensando em como ela foi dormir, sem os filhos por perto – e agora as netas também. Vou te contar um segredo, eu quase sempre choro. Pq sei que ela chorou também. Ah, desculpa, esqueço que você sabe disso também. Mas ai vou dormir tranquila pq sei que antes de dormir ela fez uma prece pra mim e me abençoou. A mim e à minha familinha. E em muitas de minhas noites é a imagem dela a última que lembro de ter, antes de adormecer. A gente às vezes briga, sabe como é, né? Eu perco mais a paciência com ela do que gostaria. Mas que jeito, Deus. Eu sou filha e filhos são assim. Ainda bem que mãe é poço de compreensão. Sorte a nossa. Tá, mérito seu tbm.
Bom, tá ficando longo e eu já chorei demais. Pra encerrar, queria te agradecer por ter me entregue para ela me cuidar. Com o meu pai Beto também, claro. E, no fundinho, queria pedir que ela fosse eterna. Demais, né? Tá bom. Mas já vou avisando que aqui dentro ela é. Vai ser pra sempre. Então faz assim, ameniza nossa saudade, pelo menos por hoje, reserva algumas décadas pra ela ainda, com muita saúde, paz e momentinhos em família. E conte com a gente pra encher ela de amor. Do nosso jeito, às vezes sem jeito, sem parecer. Mas ela sabe. Sei que sabe. Cuida dela pra mim! Assinado: Ritinha, a filha da Toninha”.

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