O parto humanizado da Marina, mãe da Maria Clara e mulher do João

por Rita Durigan (com o depoimento especial da Marina Von Glehn Paes)

Conheci Marina quando ela era namorada do João. Acompanhei os dois construindo sonhos juntos, até que chegou o de ter um filho. Alguns obstáculos depois, eis que em 2016 Maria Clara, a Clarinha, estava à caminho.

No dia 30 de agosto Marina fez um post sobre o preconceito que sofria sempre que revelava sua vontade de ter parto normal. Em seu desabafo, pedidos como: “Não julgue uma mãe pq ela decidiu ter parto normal, natural ou cesárea. Cada uma sabe o que faz. Só acho que tem que ter segurança e bom senso.” e “Então, amadinhos, menos julgamentos e mais desejos de “boa hora” para todas, seja lá como for.”

Eis que dia 17 de setembro João anuncia: “Chegando a hora! Mandem boas energias! Auuuuuuu.” E no dia 18 Marina nos presenteia com esse depoimento – que ganhou alguns detalhes a mais aqui pro blog, seguido de postagens de fotos incríveis feitas pela Cibele Piovesan – algumas delas compartilhadas aqui também.

“Clareou.

Um textão, pq esse dia merece.

Há um tempo minha vó Adil, a bisa de primeira viagem, profetizava: Maria Clara vai nascer no dia do seu pai. Eu, relutava: Não, vó. Ela só vai nascer depois… Já tem muita gente 17 de setembro. Tem meu pai e o meu cunhado Hulgo Sarmento… melhor ela esperar.

Mas como ela é igual a mãe dela, faz o que quer… claro que ela decidiu chegar dia 17. Com 37 semanas e 6 dias. Mas não foi culpa dela. Ela é parruda, forte… Não cabia mais na barriga da mamãe… ela teve que sair. Dia 16 mudou a lua… eetaaa Lua Cheia… você é porreta mesmo. Me deu um faniquito e resolvi que tinha que cozinhar quitutes para o meu pai… aniversariante de 60 anos, do dia 17. Colei a barriga no fogão das 10 da manhã as 5 da tarde. Como se eu não tivesse outra oportunidade de fazer aquilo. Comentei com as minhas primas sobre o assunto… e elas também profetizaram: vai nascer dia 17.

Mas dia 17 é dia do meu pai, do meu cunhado… e eu sei como é difícil me dividir em datas. Praticamente toda a minha família divide datas com a família do João. Acho que é o destino mesmo… kkkk .

Acordei no dia 17, de uma noite péssima. Ela não cabia mais em mim. Me arrumei e fomos almoçar no meu cunhado querido, que completava 40 anos… a tão esperada feijoada.

Sentei, comi e senti a barriga endurecer. Já tinha sonhado, na noite anterior, que aquele era o dia… mas não falei para ninguém, como se fosse para não se concretizar… kkkk. Queria pelo menos dia 18. Kkkk… senti muito incômodo… fui ao banheiro e reparei uma coisa estranha. Chamei o João e ele entrou comigo no lavabo para eu mostrar… Não tinha mais nada… mas aquilo me chamou a atenção. Tentei comunicar, discretamente, o ocorrido para a minha concunhada Camila Abdalla Gonzalez, pq não queria alarmar. Mas não consegui. Daí, depois de umas endurecidas na barriga, chamei João para irmos embora. Queria descansar para, mais tarde, ir no meu pai com todos aqueles quitutes. Dei tchau para o meu sogro, que sentiu a Clarinha mexer na barriga, e fui dar um beijo na Camila. Não deu tempo de chegar na bochecha dela e ploft:

*P… q.. p…., minha bolsa estourou.

Corri para o lavabo. Era isso mesmo. Quando abri a porta boa parte da festa me esperava ansiosa. João estava com a minha bolsa e eu desesperada. Era muita água. Ela ia chegar. Liguei para minha médica que me mandou ir para o hospital na mesma hora. Pegamos as malas em casa, dei tchau para o Chico **(o cachorro/filho) e fomos. Liguei para a minha mãe para avisar… afinal, tínhamos “miado” a festinha de 60 anos do meu pai… ou estávamos dando o maior presente da vida dele…

Chegamos no Eistein (hospital) e nem me lembro do caminho… pq as contrações já vinham acompanhadas de dor… desci do carro com uma toalha entre as pernas e supliquei por uma cadeira de rodas. O manobrista também ficou meio sem saber o que fazer… João já estava vindo com uma… e o pobre do manobrista não sabia o que fazer para me ajudar. Passamos direto, subimos para o 5º andar e fomos atendidos por enfermeiras. 5 da tarde, 2 cm de dilatação. As contrações foram piorando. E era só eu e João. Ele segurando a minha mão. Me deu banho… até a obstetriz Tatiana Lima chegar… e eu achava que não ia aguentar. Quando foi umas 8 horas já tinha 9 cm de dilatação e foi quando o anestesista chegou e tirou aquela dor de mim. Eu já estava desesperada… pq dói e dói muito. Mas a neném não encaixava… passaram duas horas e nada. É pq no meio do caminho tinha um osso… tinha um osso no meio do caminho. A anestesia foi passando e tomei mais um pouco. As contrações pararam e eu estava com mais medo de uma cesárea do que qualquer outra coisa… Então deixamos a anestesia passar e dá-lhe ocitocina na veia.

Eu escutava a família reunida do lado de fora… os sons de alegria se misturavam aos meus de dor… e vieram mais dores, que já tinham me feito vomitar. João colocou música para me acalmar… Santa Clara do Jorge Ben foi escolhida. Todos da sala de pré-parto curtiram… mas as dores eram fortes, e a neném passava por algumas dificuldades para chegar ao ponto certo… e então recorremos aos exercícios de agachamento e força, para ver se ela driblaria o tal do osso. Depois de muito trabalho, o João e uma equipe linda e unida me ajudaram a não desistir, um pouco de anestesia e o exame de toque… ela estava vindo. Passou pelo osso. Já sentia que ela queria sair. Fomos para o centro cirúrgico, pq chegou o momento. 23:30. Era dia 17 de setembro. Fiz mais força e ela chegou. O vidro se abriu e todos estavam lá. Ela agarrou a barba do papai e me fez um carinho. A minha Clara, clareou. E nós descobrimos um amor gigantesco.

Quando terminou, João foi com a Clarinha para os procedimentos de peso e limpeza. E todos da equipe médica vieram me dar um beijo na testa e dizer que eu tinha sido muito guerreira. Me senti muito acolhida nesse momento. Me emociono ainda hoje, só de lembrar.

Ps: um agradecimento especial para Patricia Vilela Nayme, que me preparou para esse momento e me tirou muitas dores mesmo antes do parto; à Tatiana Lima que, sem ela, com certeza elas são história seria diferente… me deu todo suporte para aguentar as dores… cuidou de nós com tanto carinho e mesmo com alguns obstáculos, acreditou que era possível e não me deixou desistir…. e claro, à doutora Heĺô e sua equipe incrível. Que de fato estavam comigo na hora do parto em cada força, em cada contração… sem pressa, respeitando o tempo da Clarinha e da mamãe… e claro, agradecimento mais do que especial ao meu amor João Sarmento… que esteve ao meu lado me dando força em TODOS esses momentos.

Demos luz juntos a neném mais gostosa e chorentinha da face da terra. ❤”

*A Marina escreveu o palavrão, mas eu censurei na cara dura pro blog 🙂

** Achei importante explicar, pra quem não conhece a Marina, o João, o Chico e a Clarinha.

2 thoughts on “O parto humanizado da Marina, mãe da Maria Clara e mulher do João

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