Exercícios da maternidade

por Rita Durigan

A maternidade muda tudo. O corpo, a alma, a mente, o tempo, os planos, a ordem das coisas, da casa, da vida… E é comum a gente se pegar reclamando da falta de tempo que chega com o(s) filho(s). É fato que ter outro – ou outros – ser(es) humano(s) pra cuidar em tempo integral – ou quase -, dependente(s) e cheio(s) de demandas físicas e emocionais, com a responsabilidade de preparar uma pessoinha para o mundo, consome tempo e energia. E muito.

Reclamar alivia? As vezes. Mas, em geral, não resolve as questões e não muda muita coisa. Na maioria das vezes, não muda nada. E pode nos jogar em um abismo do qual teremos dificuldades para sair. Não é fácil perceber isso, eu sei. Mas, aos poucos, tenho descoberto que mudar pequenas atitudes podem transformar a minha vida.

Por exemplo, sempre amei ler livros. Quer me agradar profundamente, me dê um livro. Pode ser usado – adoro a ideia de passar adiante livros que gostamos. Mas há muito tempo eu não lia, afinal, mãe não tem tempo pra isso, certo?! Até perceber que todas as noites passava de 1 a 2 horas zapeando nas redes sociais, fora as espiadinhas constantes durante todo o dia. Um vício que me cansava, pouco acrescentava e, muitas vezes, me deixava de mau humor. Tentei olhar menos, mas quando via estava lá de novo.

Tirei as redes sociais do celular, pelo menos por um tempo, e muita coisa mudou. As vezes ainda abro o celular em busca dos apps, mas cada vez menos. Reencontrei meu tempo para a leitura – que, sinceramente, não estava sendo dedicado à maternidade -, ou para apenas dormir mais cedo quando preciso. Minha qualidade de sono melhorou infinitamente. Meu trabalho está rendendo muito mais. E meu tempo com minha filha, que algumas vezes chegou a pedir: “sem celular, Mamãe”, também aumentou e melhorou em vários momentos do dia. Não, meu dia não passou a ter 48 horas (sonho meu), mas readequei alguns hábitos que me tomavam muito tempo e energia – e nada tinham a ver com ser mãe -, e tem fucionado pra mim.

Outro exemplo: gosto de me cuidar e me sentir bem fisicamente – quem não?! Nada de neuras com balança ou coisa assim, mas me sentir bem. Só que tinha deixado isso pra lá. É, eu sei. Ganhei kgs, roupas apertadas, pele e cabelos maltratados, humor indo de mal a pior… Afinal, mães não tem tempo pra essas coisas, né?! Pois é. Só que fui ficando mal em todos os sentidos. E o check up anual sentenciou: colesterol alto, hora de se cuidar. Antes de pensar em cortar alimentos, decidi substituir os ruins pelos bons. Sem sofrer nem sentir fome. Estou aprendendo novos temperos pra deixar o natural mais gostoso, o que vira um desafio motivador. Aos poucos sinto meu paladar mudar e estou perdendo a necessidade ansiosa por pães, doces e comida em excesso. Juro, tudo aos poucos e naturalmente.

Voltei a malhar com o compromisso pessoal de me exercitar meia hora, 4 vezes por semana. E se só der pra me exercitar 3 dias, tudo bem. Mas criei uma regra que facilitou minha vida. Vale tudo: correr no parque, passear de bicicleta, dançar com minha filha – mas ai tem que ser pra valer, sem parar :), ir pra academia – que tenho a sorte de ter no prédio e de gostar de frequentar -, fazer exercícios simples em casa… E com foco, claro. Se são 30 minutos, que sejam dedicados. Resultado? Mais do que eu esperava: menos 2,5 kgs em menos de 1 mês. Sem dificuldade, mas reencontrando o prazer de cuidar de mim. Me sentindo mais bonita e mais feliz. E isso tem impactado diretamente e positivamente nas minhas relações, inclusive a da maternidade.

Como acredito que o que a gente joga pro universo volta pra gente, nesse período uma amiga que está se formando como Personal Trainer precisava de voluntárias para as aulas de conclusão de curso. Entrei no time e foi incrível. Valentina frequenta uma escolinha 3 manhãs por semana, período em que concentro compromissos de trabalho, por exemplo. E as aulas coincidiram com esse meu “tempo livre” e foi ótimo. Mas a última da série foi marcada para um dia que minha filha fica em casa. Confesso que fiquei desmotivada, pensando na qualidade do meu rendimento e de toda a turma. Porque quando ela vai comigo pra academia, me adapto à sua demanda infantil. As vezes preciso parar pra brincar, levar ao banheiro, dar atenção… E assim nos ajeitamos. Mas dessa vez teria mais gente envolvida. Prometi que tentaria e, se ela alterasse o ritmo, eu sairia da sala. Fui preparada pra isso.

Outra mãe também levou seu bebê e a aula foi incrível. Éramos mães motivadas. Nos sentindo fortes e potentes por estarmos ali com nossos pequenos, dedicando aquele tempinho pra nós mesmas, inclusive por sermos mães, e com a presença deles. Foi inclusivo, inspirador. Cenas lindas dessa manhã ficaram registradas em nossas mentes e corpos. E pensar que eu quase desisti. Teria ficado mal, me achando infeliz por não frequentar a aula conclusiva. Teria perdido uma oportunidade incrível, simplesmente por ter suposto que minha filha poderia não se adequar. Não se incluir. Acho que a foto fala por sí.

A maternidade pode sempre ser surpreendente, principalmente quando entendemos que a vida com filhos é a vida de outra perspectiva. E que ganhamos todos quando apostamos na inclusão, inclusive de nossos filhos 😉

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