Sobre a “licença” que temos que pedir para exercer a maternidade

por Rita Durigan

O texto ai embaixo foi escrito pra minha coluna quinzenal Inteligemcia nos EUA da última terça (13), publicada no Inteligemcia.com.br.  Mas tem tudo a ver com uma necessidade muito básica da maternidade: a “licença” que temos pra cuidar integralmente dos nossos filhos por um curto período de tempo – na minha opinião, muuuuito curto -, quando eles nascem. Teríamos mesmo que pedir licença pra isso? Na minha opinião bem pessoal, até o nome tá errado.

O artigo tende a ser mais focado no mundo corporativo, que também faz parte da vida e dos prazeres de muitas mães. Mas é também um apelo pelo reconhecimento dessa necessidade que todas os seres têm de terem suas mães inteiras por perto, quando nascem e durante muito tempo depois. Se você quiser comentar, fique à vontade! Toda opinião e experiência será bem-vinda!

“Que empresa não gostaria de um profissional que acaba de potencializar na prática sua capacidade administrativa, criativa e de solucionar novos e imprevisíveis problemas em meio ao caos? É isso o que, em geral, acontece com as mulheres que se tornam mães. Essa é uma pequena parte do que elas aprendem na licença maternidade. E que poderia ser devidamente valorizada e aproveitada pelas empresas que as recebem de volta após o tempo que elas pararam para se dedicar exclusivamente à um ─ ou mais ─ novo ser em formação.

Foi para explicar esse “full-time job” que não aparece no currículo das mães que querem voltar ao mercado de trabalho que a agência Mother New York criou a thepregnancypause.org. Uma ferramenta que funciona como uma “empresa” no Linkedin, na qual as mães podem se cadastrar como funcionárias durante o período que ficarem fora do mercado de trabalho e incluir experiências como “prática em desenvolvimento” ou “designer de seres humanos” 

No site eles explicam que o objetivo é deixar claro que a licença maternidade, seja ela de 12 meses ou 12 anos, não é férias! Assista ao vídeo:

#ThePregnancyPause foi lançada em maio último, em celebração ao Mother’s Day. Se no Brasil valorizar e incrementar a licença maternidade é um desafio, nos Estados Unidos essa luta é ainda maior. A “Maternity leave” é de 12 semanas. Não, eu não digitei errado. São semanas mesmo. Contando em meses são apenas 2. E sem remuneração. Algumas mães chegam a ser “informadas” de que a vaga pode ficar “em aberto” por umas 6 semanas, caso ela decida voltar. Feliz de quem pode escolher, porque nem todas podem. Nem mesmo aqui, acredite!

Depois de crescer por seis décadas, atingindo o pico de 74% de mulheres entre 24 e 54 anos no mercado de trabalho, há dois anos esse percentual tinha caído para 69% nos EUA. Infelizmente não encontrei uma pesquisa mais atual e, se alguém tiver com os mesmos comparativos, pode postar nos comentários que faço um update aqui no artigo. Entre as mulheres dessa faixa etária sem trabalhar, 61% revelou que fica em casa para cuidar da família.

Porque família precisa de cuidados. Tirando todas as questões emocionais, é exatamente como uma empresa a ser administrada e exige conhecimentos como médicos, de produção, logística, matemática, linguística, conhecimentos gerais, marketing, relacionamento interno e externo de todas as formas e tipos, organizacional, de limpeza, moral e cívica… Ufa! E mais, tudo ao mesmo tempo agora. Que empresa não gostaria de um profissional assim?!?”

 

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