Me devolva meus 40 anos

por Rita Durigan

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Dizem que “os 40 são os novos 30”. Sério mesmo? Pensa bem no que isso quer dizer. Que cada idade tem uma cara? Um padrão? Que as histórias individuais, os tipos físicos, de pele, o DNA, não impactam na aparência de cada um? Acho até que essa reflexão faz parte de ter 40, me corrija se estiver errada.

Sim, completei os meus no último dia 17 de outubro e estou muito orgulhosa deles. Não por me achar com carinha de 30. Minha carinha de 30 se foi há 10 anos, acredite. Faz sentido, não? Essa que exibo agora é minha carinha de 40. E pronto. Se eu estou melhor do que alguém pensa que eu deveria estar, ou pior, não vai mudar nada. Não dentro de mim porque o que vejo ao olhar no espelho sou eu, aos 40. Presente. Feliz. Com minhas certezas, angústias, tranquilidades e necessidades. Eu hoje, como sou. A Rita aos 40.

Fiquei pensando nessa frase: “os 40 são os novos 30” na noite que eles chegaram, os 40. Foi um dia intenso com a família e tudo o que eu podia sentir era cansaço físico, daqueles que chegam a fazer bem pra alma. O coração cheio de desejos bons de pessoas queridas e até mais distantes – coisas das redes sociais. Naquela noite pensei em quanta gente boa eu conheci ao longo do caminho. Quantas coisas boas couberam nos meus 40 anos. Pensei na família que eu tenho. Na que construí. Meu marido, ali do meu lado. Minha filha, de 4 anos, vejam só. Eu, 40. Ela, 4. E uma cumplicidade que tem a dimensão do amor.

E naquela noite eu estava tão feliz comigo mesma que achei que a frase “os 40 são os novos 30” não cabia em mim. Aos 30 eu já tinha cabelos brancos, mas não tantos. Hoje eles estão ali. Às vezes me irrita a rapidez com que se misturam aos meus cabelos escuros, é verdade. Em alguns meses corro para escondê-los. Em outros, os deixo ali, respirando um pouco. Aparecidos por um tempo.

Cada sorriso dessa menina de 40 hoje exibe ruguinhas aqui e ali. Várias, aliás, de mãos dadas, inundam minha face como um sorriso. Mas os sorrisos são maiores também. Neles cabem a compreensão do valor de cada momento, os vividos e os por viver. Cabem 40 anos de uma vida que não trocaria pela de ninguém.

Meu corpo, quer saber, está melhor do que nunca. Apesar da flacidez do tempo, das dobrinhas que viraram patrimônio. Da pele mais cansada e que não quer mais ser tão elástica. Eu malho por conta própria. Pego umas instruções aqui, outras acolá e vou respeitando minhas vontades. Gosto de correr na rua e na esteira, mas tem dias que só quero fazer musculação. Em uns estou empolgada e gostaria de ter mais tempo pra isso. Em outros, os 30 minutos são mais do que suficientes. Alguns dias pular corda, dançar e brincar com Valentina é tudo que eu quero. Ou rodar a cidade de bicicleta com ela, com ela e meu marido. E tudo bem. Já entendi que não vou ter corpo de modelo ou blogueira fitness. Não cabe em mim. Mas eu preciso ter saúde, afinal, tenho 40, uma filha de 4 e muita vontade de viver.

E tem mais. Meu corpo de 40 não responde mais tão rapidamente aos exercícios modeladores. Mas compreende como ninguém quando é cuidado, acarinhado, bem tratado. E isso vale para alimentação, pros exercícios, pro sexo. Aliás, tem muita coisa que o treino e o tempo só melhoram, pode acreditar 😉

Quer saber, demorei uma década pra passar dos meus 30 pros 40. Uma década bem vivida e cheia de muitas histórias pra contar. De muito aprendizado, novas amizades, encontros e reencontros. Me devolva meus 40 anos que é com eles que sigo agora. Eles são meus, por direito. “Meus 40 são meus novos 40”, e eu quero aproveitar.

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