O que gostamos – Livro: Lua Vermelha

Por Pati Juliani

Mas agora? Por que não antes? Melhor depois? Quando?
O tempo…
Que tempo é esse? Ele é o mesmo pra todos? Posso ter outro tempo? Qual é o tempo? Existe um tempo?
Talvez um dia eu esqueça as perguntas e ele passe a ser parceiro. Talvez não. De qualquer maneira, o tempo da minha reconexão com o feminino coincidiu com a maternidade. O feminino que adormecia numa sociedade patriarcal, machista e competitiva. A negação que vem no caminho inverso do empoderamento.
Mas  a vida, com toda sua sabedoria e potência, me trouxe meninas. Não uma, mas duas. Para que eu aprendesse. Para que eu ressignificasse. Para que eu acordasse. Não de maneira avassaladora (como é para muitas), mas de maneira sutil, delicada, natural.
O feminino acordando aos poucos, trazendo compreensão, cura, amor e tomando proporções inimagináveis. Resgatando ancestralidades, retomando potências.
Elas, minhas meninas, fizeram eu olhar e acolher a minha menina. Me perdoar.
Me ensinaram e me ensinam tanto…
Depois que elas nasceram, estive com mulheres incríveis em diversas situações. Com elas, ouvi pela primeira vez a palavra sororidade e vivenciei inúmeras situações lindas de acolhimento, empatia e afeto.
Antes delas nascerem, a potência e as mulheres estavam lá: fortes, ancestrais e guerreiras mas a minha consciência não. A consciência do meu feminino universal. A consciência dessa teia que nos mantinha e nos mantém unidas. A consciência do funcionamento e dos inúmero benefícios que tenho cuidando e ouvindo meu corpo.
Vi e estive com mulheres bem mais novas e totalmente conscientes de tudo isso. Decidi que o tempo teria que ser meu aliado nessa busca, pois queria que o tempo de minhas meninas fosse outro. Mencionei, muitas vezes, que essa busca era por elas mas, na verdade, essa busca também é por mim. Pois somos um elo, somos uma e somos todas.
Estou no processo, no caminho, onde o tempo muitas vezes insiste em ser meu inimigo.
E, já que ainda estamos vibrando em torno da comemoração do dia internacional da mulher, “o que gostamos” de hoje vai para o livro Lua Vermelha de Miranda Gray. O livro que vem inspirando e conectando mulheres de todo o mundo, discorrendo sobre as energias do ciclo menstrual como fonte de empoderamento sexual, espiritual e emocional.
Talvez você já tenha lido, talvez eu esteja dizendo algo já conhecido, talvez seu tempo seja outro e talvez por isso eu tenho relutado tanto em falar sobre esse livro. Mas ele é necessário e importante. Leiam! Por vocês, por suas filhas, por todas nós.

lua vermelha

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