Mulheres – Verônica Paiva

por Dede Lovitch

Conheci a Verônica através do teatro. Uma amiga que trabalhava comigo numa escola, comentou que um grupo de mulheres chamado PLPs (Promotoras Legais Populares) estava pensando em fazer uma peça teatral como um meio informativo e lúdico de  orientar mulheres sobre a violência doméstica.

Sendo assim, me chamaram (as PLPs) para uma primeira reunião,  formalizaram o convite para que eu dirigisse uma peça, aceitei na hora e começamos nossas discussões e longas conversas, decidimos (eu, Verônica e todo elenco) então que faríamos uma peça sobre a lei Maria da Penha. E à partir daí que fui conhecendo mais a Verônica e me admirando com sua caminhada e luta pelos direitos das mulheres.

Vou publicar o texto que ela carinhosamente escreveu para o nosso blog nesse mês em que lembramos a luta das mulheres.

Sou Veronica Paiva de Alencar (57), filha de nordestinos, casada, mãe de dois filhos e
avó, moradora da Cidade de São Caetano do Sul, mesmo exercendo atividade
profissional em horário comercial, coordeno o Projeto Promotoras Legais Populares em
São Caetano do Sul.
No ano de 2002, por meio da Frente Regional no Combate a Violência do Grande ABC
fui voluntária como estagiária de Direito na Casa Beth Lobo. Centro de Referencia
voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência de gênero e doméstica na
Cidade de Diadema, onde conheci a dura realidade de mulheres que eram espancadas
e mortas por seus companheiros e crianças vilipendiadas sob os olhares cúmplices de
quem deveria protegê-las.
A Coordenação da Casa Beth Lobo promovia reuniões com sua equipe e convidava as
mulheres vitimas de violência e resgatava a autoestima de muitas daquelas mulheres
nos molde do Projeto Promotoras Legais Populares.
Neste período aprendi que nós mulheres queremos mesmo é poder dispor do nosso
próprio corpo, ter liberdade de escolha, e não sermos obrigadas a condições
degradantes para poder viver e criar nossos filhos e filhas, fazendo-se muitas vezes
todo sacrifício do mundo para obter um mero prato de comida e um teto.
Em 2004 quando participava de uma reunião regional onde a pauta era justamente a
preparação das Conferências Municipais de Políticas Públicas para as Mulheres,
protocolei como sociedade civil um ofício solicitando a Conferência Municipal Políticas
Públicas para Mulheres em São Caetano do Sul.
Convidada para participar de uma reunião no Gabinete do Prefeito, fui apresentada à
Guarda Municipal Andreia que participava das reuniões do GT de Gênero no Consórcio
Intermunicipal. O Senhor Prefeito perguntou por que encaminhei o Oficio, e respondi
que gostaria de apresentar propostas, e ouvir as mulheres da Cidade. Perguntei por
que a Cidade não participava da manutenção da Casa Abrigo Regional, a resposta que
obtive é que o interessante é trabalhar com a prevenção. E foi assim que dias depois
aconteceu a Primeira Conferência Municipal de Politicas Mulheres de São Caetano do
Sul e a participação da cidade em todas as Conferências Estaduais e Nacionais que
ocorreram estive presentes como delegada do Município e do Estado.

Participar de Conferências é assumir a responsabilidade de mapear as politicas públicas
na cidade para fazer valer as propostas encaminhadas, e por meio da Sociedade Civil
organizada podemos fomentar políticas públicas voltadas para as mulheres.
No ano de 2010 apresentei o Projeto Promotoras Legais Populares e, com o apoio
institucional da Câmara Municipal, durante dois anos, todas as segundas feiras no
período noturno, o curso aconteceu nas dependências da Câmara Municipal de São
Caetano do Sul, mas com a mudança do Presidente da Câmara em 2012 não
recebemos autorização para utilizar o espaço.
Durante os oito anos do Curso de PLPs em São Caetano do Sul tivemos que mudar o
Curso de local quatro vezes, realizamos o curso na Associação Antialcoólica, na
Universidade Municipal de São Caetano do Sul – Campus 2 e posteriormente no prédio
da pós graduação. Não colhemos apenas flores, enfrentamos muitos desafios e por
não termos apoio financeiro promovemos alguns bailes na Cidade para arrecadação de
dinheiro para confecção de material de divulgação para distribuição no Dia
Internacional da Mulher, na data de promulgação da Lei Maria da Penha e no dia 25 de
novembro, Dia Internacional no combate a Violência conta a Mulher. Além disso,
durante seis anos protocolamos abaixo assinado e ofícios solicitando o Conselho
Municipal dos Direitos da Mulher no Executivo e Legislativo local.
No inicio de 2015 conseguimos formar uma comissão e protocolar um Ofício solicitando
o Conselho Municipal da Mulher com a Assessora Especial do Gabinete do Prefeito.
Dias depois fomos informadas que em 1998 foi criado o Conselho Municipal de
Proteção e Defesa dos Direitos da Mulher. No dia 25 de novembro aconteceu a posse
do Conselho da Mulher de São Caetano do Sul, em que fui indicada como conselheira.
Atualmente estou Presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa da Mulher de
São Caetano do Sul, Biênio 2017/2019, vou me dedicar bastante e espero conseguir
com a participação das Conselheiras e o apoio das Promotoras Legais Populares atingir
os nossos objetivos.
Porque Juntas Somos mais Fortes!

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