Pressão nossa de cada dia

por Rita Durigan

Tenho pensado muito, lido muito e discutido muito com pessoas próximas sobre a pressão que vivemos todos os dias. Nós todos, sociedade. Adultos e crianças.

Ronda-nos a cobrança diária de superação. De competição. De dar conta. De entregar. Mas não estamos dando conta. E o que a gente faz? Se frustra e se coloca mais limites a serem atingidos. Mais desafios a serem cumpridos. Normalmente baseado no outro, na comparação. Estamos comprimidos em uma cápsula de compromissos que não nos permite respirar. Estamos adoecendo. E aqui, de novo, estamos todos.

Todo o tempo livre que tanto gostaríamos de ter enquanto adultos estamos tirando também de nossas crianças. Enchemos suas agendas, seu pouco tempo livre. Aquele tempo em que a criança vai do tédio a brincadeiras divertidíssimas em que mergulham corpo, mente e coração. Diálogos que elas constróem em suas brincadeiras e que reproduzem o que eles têm vivido em ambientes diversos. A chance que temos, além do essencial e indispensável diálogo, de saber mais sobre elas. Porque na liberdade de expressão e sem serem cobradas por isso, as crianças colocam pra fora a vida que as cerca. Sem as travas que nós adultos nos impomos.

Sim, um observar de uma criança brincando nos leva a rever como tem sido seus dias. Como a professora age com sua turma, por exemplo. Frases as quais elas estão expostas. Pensamentos que habitam suas cabecinhas. E, inclusive, como nós mesmos as tratamos. Como um espelho. Porque nas brincadeiras elas criam, mas também reproduzem, num aprender da vida de forma natural.

Também todo o peso que não suportamos em nossos trabalhos, vindos de chefes, metas ou clientes, jogamos para nossas crianças. Cobramos as melhores notas, a pontualidade, a perfeição. Comparamos nosso/a(s) filho/a(s) aos coleguinhas, irmã/o(s), primo/a(s), jogando-as em disputas desleais. Esquecemos que a infância é um descobrir e aprender constante e que a perfeição está nisso, nos traços confusos que se tornam desenhos, letras, histórias. Nos sons difusos que se tornam sílabas, frases, canções.

Será libertador cada instante que pararmos para compreender com elas que o perfeito está na liberdade de ser, no viver presente, no experienciar com calma e sem regras, metas, datas ou horas.

Precisamos nos dar esse tempo.

É preciso aliviar a pressão, ou vamos continuar explodindo como sociedade, como humanindade. E é preciso começar dentro de nossas próprias casas. Do nosso microambiente. De nós mesmo.

A foto do destaque foi postada pela Paty Juliani no nosso instagram@criarcomaasas com a legenda: “Brincar é a mais elevada forma de pesquisa” – Albert Einstein. 

 

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