Outra noite eu tive um sonho

por Rita Durigan

Nesse sonho chegávamos no Brasil pra visitar a família, momento sempre de muita alegria. No aeroporto, uma linda adolescente, de sorriso e olhinhos familiares, vinha ao nosso encontro. Meu e de minha filha. Minha sobrinha, de 4 anos, havia crescido. Tinha minha altura, era adolescente.

Olhei pra ela com os olhos cheios de lágrimas e feliz por vê-la tão linda e perguntei: “Quando foi que você cresceu? Você virou uma adolescente e a titia nem percebeu.”

Ela e a prima se olharam sorrindo, com a cumplicidade que sempre tiveram, e me dei conta de que minha filha, 1 ano mais velha, também tinha crescido. Estavam as duas da minha altura. Havia traços ali das meninas crianças que sempre foram, muito ligadas, amorosas e bagunceiras, e um ar de juventude que começava a rondar seus sorrisos e olhares. Abracei as duas e senti seus cheirinhos. Eram os mesmos. Acariciei seus cabelos. Eram elas. Estavam ali, inteiras, crescidas. Eu só não tinha percebido quanto.

Acordei do sonho e do meu lado Valentina ainda dormia criança. Tínhamos adormecido falando da prima, desse amor que as duas têm e da saudade que sentem uma da outra. Agora o sol já começava a aparecer, era manhã. Primeiro dia de Primavera. A abracei e ela abriu um sorriso, acariciou meu rosto. Estávamos acordadas com anos de tempo pela frente pra gente viver, antes que meu sonho se torne realidade.

Contei pra ela do sonho. Rimos juntas. Nessa manhã passamos alguns minutos a mais brincando, sorrindo, bagunçando. Sem pressa, porque o sonho tinha me despertado naturalmente. Desliguei o despertador que ainda ia tocar. Tivemos tempo naquela manhã até a hora de ter que correr contra o tempo. E fizemos dele nosso aliado.

Nesse dia me inspirei pra escrever “Vivemos esperando”, já publicado por aqui. E resolvi registrar esse sonho tão cheio de significado.

Aproveitei pra reler “Por que ser tia é gerar com o coração ou sobre a ’tiaternidade’”. Começava ali apenas mais uma jornada de amor. E eu não tinha ideia do tamanho do amor que estava por vir, passe o tempo que passar.

*A ilustração foi feita pela Valentina, inspirada no meu sonho. Memê é como ela chama a prima desde que nasceu. E as lágrimas nos meus olhos “são porque você está emocionada, Mamãe”.

 

 

 

 

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