Viajar com crianças – uma opção mas também um desejo

por Paty Juliani

“Todo dia ela faz tudo sempre igual…”

Eu poderia publicar, todos os dias, uma infinidade de coisas cansativas sobre a rotina materna.

A dificuldade em acordar as crianças, a luta de fazê-las se trocar sozinha, a insistência em tomar o café da manhã antes de sair, os inúmeros e incansáveis argumentos sobre a importância do banho, de se lavar os cabelos, comer direito, dormir cedo, etc, etc, etc. Talvez, assim fazendo, teríamos por aqui mais mães interagindo, se identificando e dizendo que temos empatia pelas dificuldades maternas.

Mas não farei. Ou melhor, não faremos. Não iremos reclamar das férias quando as crianças estão em casa e não na escola. Não iremos reclamar da falta de tempo e espaço sem as crias. Não iremos porque adotamos um posicionamento.

Desde que começamos o blog, e quem nos acompanha sabe, procuramos olhar e encarar a maternidade sob a ótica do “copo mais cheio” do que “mais vazio”, da amorosidade e empatia principalmente com as crianças, do respeito e da alegria que é estar ao lado desses seres  que nos escolheram para trilhar sua jornada.

Esta é a nossa micro política, este é o nosso ativismo diário. Estar atentas para as potências, os ensinamentos e tudo que ganhamos sendo mães.

Por aqui, adotamos a política de estarmos juntos. De estarmos acompanhando o crescimento, o desenvolvimento e as pequenas (grandes) descobertas de nossas filhas. E isso inclui as férias (que adoramos) e as viagens (que gostamos mais ainda). Nossas filhas tinham 3 (três) e 5 (cinco) anos quando decidimos ir para Ilha de Boipeba na Bahia. Pegamos avião, barco, táxi, lancha e van, carro até chegar lá. Tivemos que caminhar na areia para chegar ao hotel, que ficava em cima de um morro. Quando elas tinham 4 (quatro) e 6 (seis) anos, fomos para a Itália. Alugamos carro e saímos, planejando nosso próprio destino. Inventando brincadeiras nos trajetos e vivendo alguns erros de percurso. Quanto tinham 5 (cinco) e 7 (sete) anos, atravessamos o estado de carro. Foram oito horas para chegar até Minas Gerais, nos hospedar em Brumadinho e conhecer Inhotim, um parque cultural. Teve também, nesse período, Uruguaia e Argentina. Todos esses lugares fomos sem agências ou planejamentos fechados. Decidíamos a medida que as coisas iam acontecendo e, com isso, conseguíamos respeitar o tempo de nossas filhas. Foi difícil? Difícil, não! Porque difícil é não ter o que dar de comer para nossos filhos. Difícil é não ter casa para morar. Difícil é ficar sem trabalho. Mas, diante da oportunidades e do contexto aqui trazido, posso dizer que foi trabalhoso. Mas não foi loucura, como muitas pessoas julgam ser. Foram momentos de aventura e grandes aprendizados.

Em todos esses lugares, a regra era não usar eletrônicos (só para fotos e vídeos) e aprender, ao máximo, com o lugar. Em todos essas viagens, um kit básico de caderno e lápis a acompanhavam. Nos restaurantes, a gente conversava sobre tudo que tinha sido visto e elas registravam com desenhos. Em todos os passeios, a gente pegava o mapa e decidíamos juntos que caminho seguir. Conversávamos sobre o que era importante ver, sobre as possibilidades do que era possível consumir e tantas outras coisas.

As lembranças dessas viagens estão tão impregnadas que, elas nunca mais esqueceram.

O esquilinho que nos acompanhou em Inhotim, as folhas colhidas no parque em Buenos Aires, o tombo nas muralhas de Roma Antiga, entrar na boca da baleia do Pinóquio, rodar pelo labirinto do Coliseo, os artistas de rua de Firenze e até o casamento na Toscana. Tantas coisas boas que o cansaço, o choro e a birra ficaram para trás.

Foi uma opção estar com elas nesses lugares. Mas também foi um desejo.

Nossa filha mais velha está completando 9 (nove) anos. Já está entrando em outra fase e estamos acompanhando de perto tudo isso. A mais nova, está concluindo o primeiro setênio. O tempo passa muito depressa e, daqui a pouco, elas estarão levantando vôo e fazendo suas próprias viagens, com amigas ou quem quer que seja. E nós, estaremos aqui, novamente sozinhos, mas cheios de lembranças e da certeza que fizemos o possível para aproveitar cada momento e cada fase junto de nossos filhos.

 

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