Viagem à Paris com criança

por Rita Durigan

Valentina tinha 1 ano e 1 mês e foi lá que deu seus primeiros passinhos sozinha, sem se segurar, em direção aos braços do Vovô Beto, meu pai. No jardim do Museu de Rodin. E não parou mais.

Tem o privilégio, sim, de poder estar em um dos lugares mais incríveis do mundo, realizando o sonho de ter meus pais e minha filha junto comigo. Mas também tem o verdadeiro encanto da simplicidade e da intensidade desse momento, e de tantos outros pequenos e simples que nos conectam, seja numa viagem, no jardim de um museu ou no de casa. Desde que a gente seja e esteja presente, de corpo, mente e coração.

Desde 1 mês e meio dela, viajamos de avião. No começo era só colo e canguru. Até pra ir ao banheiro, se meu marido não estava com a gente, ela ia no canguru comigo. Nunca foi fácil naquele banheiro minúsculo dos aviões. Contorcionismo puro. Mas eu ia tranquila com a cria no colo, um colo dela, onde repousava às vezes sem nem perceber onde estava ou olhava tudo atenda naquele cubículo e com aquela mãe contorcionista, descobrindo o mundo também em situações assim. 

Depois que cresceu e passou a ter que usar assento exclusivo no avião, ela ainda ganha colo. Parte dele, repousando a cabeça para dormir e ganhar cafuné, depois que o avião decola e sempre com o cinto afivelado. Fica cômodo pra mim? Quase nunca. Mas a gente se ajeita, se acomoda, e encontra o melhor que é possível pra seguir viagem. Juntas. Conectadas.

Tem conversa, tem pergunta, tem filminho de avião, papel, lápis e livrinho pra desenhar.

Já viajamos muito por esse mundo afora nesses quase 6 anos dela. Eu e ela. Eu, ela, e o pai. Eu, ela, o pai e alguns familiares. Aproveitamos muita oportunidade de acompanhar meu marido a trabalho; viajamos os dois à trabalho com ela; mudamos de país e visitamos sempre que possível a família no Brasil; usamos milhas e já ganhamos passagens para curtir em família, como nessa viagem ao Japão. Nunca foi um problema viajar com ela. Na verdade, sempre foi incrível. o que não quer dizer que não passamos por situações comuns a qualquer criança, em qualquer lugar.

Já teve vômito saindo de uma aeronave para entrar em outra, com tempo de escala restrita e eu sozinha com ela; ínumeras trocas de fraldas – óbvio, ou alguém pensa que dá pra não fazer?; conjutivite que apareceu no meio de um voo para o Brasil e deixou ela mais agitada que o comum; mas nada disso me fez desejar que ela não estivesse ali. Jamais.

E Paris foi inesquecível.

Tínhamos ido trabalhar no Festival de Publicidade de Cannes, meu marido e eu, o que repetíamos há anos. Foi lá que nos conhecemos, inclusive. Era o primeiro ano com ela e a levaríamos junto. Como trabalhamos muito lá, meus pais foram encontrar a gente pra ficar com ela enquanto trabalhávamos. Cuidaram de tudo – inclusive de mim – e curtiram muito o lugar juntos. Uma semana depois, aproveitando que já estávamos na Europa, embarcamos para Portugal, Londres e Paris. De Londres meu marido voltou pra Chicago, onde morávamos, e seguimos os 4.

Tínhamos pouquinhos dias e eu tinha programado a viagem para curtirmos o principal de Paris, com a calma que uma viagem com uma criança de 1 ano e seus avós merecem. Pegamos o ônibus de turismo, aqueles Hop On Hop Off, e marcamos onde iríamos parar. São ônibus que passam e param nos principais pontos turísticos da cidade. Você pode descer de um, passear por ali e pegar o próximo. Ou só ficar andando nele.

Valentina naquela fase de querer andar pra todo lado de mãos dadas e começando a andar sozinha, queria subir todas as escadas que via pela frente.

Com mapa, água e frutas na mochila, e uma programação prévia pra saber o que ficava perto de onde e que museu fechava que dia – dica importante, pra não dar de cara com o lugar fechado – respeitamos os horários das refeições. Valentina ainda mamava no peito, livre demanda, o que torna a viagem muito mais tranquila. Deu fome ou sede, tem o melhor alimento e hidratação ao alcance. E pra isso, a mãe precisava se hidratar muito e estar bem alimentada.

Aproveitamos bastante os jardins e gramados dessa cidade linda pra descansar e se conectar com a natureza, deixar ela pisar na grama. Visitamos museus como o Rodin e o Louvre, onde vimos a Monalisa. Subimos na Torre Eifell, superando alguns medos de altura. Andamos pela Champs Elysees, vimos o Arco do Triunfo, fomos ao Moulin Rouge.

Entramos em várias igrejas pelo caminho, mas visitamos com mais tempo a Sacre Couer e a Notre Dame, onde Valentina se divertiu muito com os pombos que ficavam por ali. Aliás, pausa pra dizer que esse post começou a ser escrito na manhã de segunda-feira, 15 de abril, e enquanto eu escrevia soube que a Catedral estava em chamas. O texto foi para o rascunho e só retomei hoje. Temos lindas lembranças de lá. Ficamos pertinho, num quarto de hotel simples, pequeno e barato, que dividimos os 4. E íamos a pé. A catedral foi nosso primeiro passeio turístico, na tarde em que chegamos. Passando pela ponte dos cadeados. E ficamos muito tempo dentro da Notre Dame. Vimos parte de uma missa em latim. Foi especial.

PARIS Pai Mae Valentina Notre Dame

Visitamos a tradicional Shakespeare & Company, ali perto também. Quando o sol apertava – era verão – parávamos em uma sombra, ou num café para descansar. Tínhamos pressa pra ver tudo, mas também tínhamos todo o tempo do mundo pra viver aqueles momentos tão lindos e de tamanha conexão, que queríamos eternizar.

De novo, reconhecendo o meu privilégio de poder ter estado lá algumas vezes na vida, e poder ter estado com eles – já estive antes com meu marido também – eu diria: se puder, vá à Paris com seus filhos. Vá a Paris com seus pais, marido ou mulher, namorado ou namorada. Esse lugar é mágico e fica ainda mais com as pessoas que mais amamos no mundo.

E lembre-se: criança é criança em qualquer lugar do mundo. Exige a mesma atenção e dá as mesmas alegrias em qualquer destino. Se o lugar é novo, vai querer descobrir mais. Lembre-se que tem o fuso horário que mexe com o humor de qualquer ser humano, em qualquer idade, imagine os pequenos. Programe-se para que eles tirem um cochilo nos horários que costumam dormir. Isso ajuda muito. E é normal que fiquem irritadas quando vai batendo o sono. E aproveite. Aproveite muito. Rua junto, mostre tudo, para para ouvir e olhar para o que estão te mostrando. Crianças crescem e talvez um dia não viagem mais com você. Aproveite agora e foque em tudo que é bom!

Poder viver de perto, de verdade, e de todas as formas a infância de nossos filhos é o maior privilégio que podemos ter.

Algumas questões abordadas aqui também foram abordadas em Viagem com criança – uma opção mas também um desejo, da Paty Juliani.

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