Reprodução das páginas 190 e 191 do livro "Revolução Laura", de Manuela D'Ávila.

Incluir e respeitar as crianças

por Rita Durigan

Nossa geração foi criada ouvindo: ”isso é conversa de adulto”; ”vai ficar com as crianças que aqui só tem adulto”; ”isso não é coisa/assunto de criança” – sem nenhuma outra explicação para sanar nossa curiosidade.

Ainda assim, acabávamos ouvindo fragmentos de assuntos que não compreendíamos e povoavam nossas cabeças da forma que nossa imaginação era capaz de construir, muitas vezes somando a outros fragmentos de outras conversas ou do que víamos nas TVs.

Hoje, nós, do blog, e algumas mães/pais com os quais conversamos, tentamos incluir mais nossas crianças, respeitando suas curiosidades, necessidades, e vontades. Afinal, encaramos a infância como um momento importante e real da vida, não a preparação para o futuro.

Comecei esse texto há algumas semanas e deixei no rascunho. No domingo (23), li “Revolução Laura”, da Manuela D’Ávila, que está neste O que gostamos. E não páro de pensar na inclusão de Laura no universo da Mãe, então disputando a vice-presidência do Brasil. Da para imaginar o contexto, o que essa criança viu e ouviu. Mas a Mãe estava lá. As mãos que ajudam estavam lá. E pelo livro, percebe-se diálogo para poder tornar esse ambiente claro e sincero, além de mãos e colos presentes pra quando é preciso tirar o foco ou dar foco para o que pede a infância: o brincar, o comer, o descansar, o estar presente.

Se em alguns momentos Laura parece madura demais para entender o que a mãe está pensando ou passando, na realidade ela apenas está vivendo e trocando, conectada com a vida real da Mãe. Estão crescendo e amadurecendo juntas, só isso.

Subestimamos nossas crianças, principalmente quando um problema parece muito grande para sua compreensão. Nos esquecemos que eles estão vivendo aquilo conosco. Nossas angústias, tristezas, nossos medos, nossas lutas. Eles vivem tudo com a gente, recebem nossas energias, mas não compreendem, principalmente se são colocados de lado.

Parece mais complicado do que é contar para crianças sobre nossos “problemas de adultos”. Mas, na real, qualquer problema que exista dentro de uma casa acaba tornando-se de todos, inclusive das crianças.

Então, é importante sim falar com as crianças. Não precisa dar detalhes que confundiriam mais suas cabecinhas infantis. Elas nem querem, nem pedem, nem precisam de detalhes. Mas da verdade, isso sim. É importante explicar que tem algo acontecendo. Que esses dias Mamãe ou Papai estão mais tristes, ou com mais trabalho, mas que tudo vai ficar bem. Motivos, de forma simples, também ajudam. Aconteceu algo ruim, tem alguém doente. Porque não? É a vida, certo? E eles estão inseridos nela.

Além de fazer isso no dia-a-dia, sempre que percebo que é necessário, encontro isso também como sugestão de alguns/mas autores/as que acompanho sobre crianças, maternar, maternidade, família e vínculos.

A criança precisa dessa confiança, dessa segurança. Por mais que ela não entenda a complexidade, saber que sua angústia tem fundamento e é percebida por quem pode ajudá-la a resolver isso, que há consciência e legitimidade dessa sensação incômoda, vai fazer toda diferença na vida dela. E na sua, experimente.

As crianças têm o poder de nos conduzir para a luz sempre, se as deixarmos. E é lá que habitam as soluções. ❤

A imagem que ilustra esse post é uma foto das páginas 190 e 191 do livro “Revolução Laura”, de Manuela D’Ávila. Se alguém souber o nome do/a fotógrafo/a, vamos adorar publicar. 

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