Pra gente lembrar da gente

por Rita Durigan

Quando mais nos unimos é quando nos separamos.

Sempre. 

A distância, a despedida, a maternidade, 

Criar com Asas. 

Nasceu o blog da necessidade de sentar para conversar quando as mudanças de cidade e país chegaram. Quando os filhos chegaram.

A ausência se fez presente, 

Presença. 

Textos que nunca foram ou serão publicados nos trazem para discussões intermináveis no WhatsApp.

Um acolher sem exigir concordância, um ombro invisível por onde deslizam lágrimas. 

Sorrisos e celebrações. Memórias vividas, criadas, construídas. 

Saudade, silêncio, abraços ao vento com destino certo.

Entregues. 

Pandemia.

O medo, o socorro, e a percepção que tanto dela já fazia parte de nossas vidas. 

Já estávamos em casa. 

Já gritávamos de casa. 

Já sabíamos que cuidar, ajudar e dar espaço na vida de nossas crianças bagunça casa, 

agendas, 

coração. 

Puerpério, 

puerpérios de cada fase.

No singular e no plural. 

Pára, respira, mas volte. 

O mar revolto se acalma de dentro pra fora. 

“Meninas, preciso conversar”. 

“Meninas, preciso conversar.”

“Meninas, preciso conversar.”

Tão simples e bom.

“Peraí,

agora não dá.”

“Vão indo que já chego.”

“Obrigada.”

Aos poucos, a vida da pandemia parecia mais simples.

As dores do mundo já doiam e pediam trégua.

Desde sempre. Tantas dores. Mais essa agora?

“Preciso conversar.”

“Meninas.“

Há tanto tempo. 

Um tempo, quem tem? 

A gente consegue. 

De novo a distância, 

a despedida,

a maternidade

Criar com Asas

nos uniu. 

Revisitas de tempo que parecem ontem e parecem uma eternidade.

Relatos registrados.

Compreensões que ficaram no tempo e no espaço.

Gravados.

Sentamos, com pausa.

Com trégua.

Respiro. 

“Está salvo.”

“Onde?”

“Gente, vai sair.”

“Como?”

“Vai sair.”

O sonho precisava de forma.

Ele já era realidade, mas queria ser matéria. 

Como criança, sabe? 

São sonhos e quando nascem são mais que isso.

Os sonhos que um dia tivemos ficam pequenos.

As cores são outras. 

Amores e dores de amores.

Os textos são mais lindos e falam mais do que esperáramos ouvir. 

Revisitas. 

Juntas, relendo, lembrando.

Acolhendo,

ressignificando.

Risos. Lágrimas. Pausa.

Pausa.

Retoma.

Estamos indo de volta.

Pra dentro. 

Por dentro. 

Porque há tanta vida lá fora. 

Aqui.

Fora. 

Os encontros não tocam,

nos tocam. 

Aprendemos que segurar as mãos é mais forte.

“Saudade.”

Claro. Muita. Quanta. Tanta.

“Dói tanto.”

Sabe, mas é que…

… senta aqui.

Deixa eu te falar do que vivemos.

Deixa eu te falar que agora estamos.

Amanhã, 

só se continuarmos agora. 

“Obrigada!”

É disso.

É isso. 

Por nós 3, pra nós 3. 

Amo vocês!

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